Bendito é o negócio com as mulheres – uma reflexão sobre a importância da Equidade de Gênero para a inovação nas organizações

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Diversos estudos comprovam: promover os talentos das mulheres nas organizações traz ganhos para todos. Evolui a sociedade com um ambiente de negócios mais igualitário e ético. Trabalham melhor os funcionários, em um ambiente mais humanizado, com mais trocas e inovação. E lucram os acionistas, que obtêm lucros até 48% maiores que os concorrentes ao contarem com executivas no seu corpo diretivo, segundo pesquisa da consultoria McKinsey.

Em um estudo da Serasa Experian realizado em 2014, há ao todo 5,7 milhões de mulheres empreendedoras, o que representa 8% da população feminina do país. Elas são donas de 43% dos negócios no país. O mesmo estudo aponta também que a idade média das empreendedoras é de 44 anos. Do total das empresas ativas no Brasil, 30% têm mulheres como sócias. Do total de empreendedoras do Brasil, 73% são sócias de micro ou pequenas empresas. O percentual sobe para 98,5% quando contabilizamos as empresas do tipo Micro Empreendedor Individual (MEI). Mais de 1,3 milhão de mulheres brasileiras são sócias de MEI. Por outro lado, apenas 0,2% das mulheres empreendedoras do Brasil são sócias de grandes empresas. A maior concentração de sócias brasileiras encontra-se na região Sudeste, com 52,06% do total. Em segundo lugar aparece a região Sul, com 19%. As nordestinas sócias de empresas são 16,53%. Na região Centro-Oeste, são 7,97%, e, na Norte, 4,44%.

equilibrio Mulheres são conhecidas pelo clichê de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, e para muitas delas isso é uma verdade. Além de trabalhar o dia inteiro, muitas ainda têm de cuidar da ordem dos seus lares, por isso é menos comum vermos mulheres ficando até mais tarde no local de trabalho. E assim, produzindo o mesmo que os homens em menos tempo, tornam-se mais produtivas. Além disso, elas são mais preparadas: do total de pessoas com 12 ou mais anos de estudo no Brasil, 57% são mulheres.

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Como as mulheres costumam empreender mais tarde que os homens, isso faz com que potencializem talentos que já são características mais percebidas como femininas, tais como: sensibilidade, paciência com clientes, fornecedores e colaboradores, capacidade de trabalhar em equipe, melhores em comunicação e a versatilidade. O lado positivo é que elas se preparam mais para abrir suas empresas, empreendendo mais por oportunidade do que por necessidade. Na minha experiência percebo que as mulheres tendem a ser mais sensíveis e sistêmicas, pensando em diversos detalhes do negócio. Isso gera vantagens e desvantagens: ao mesmo tempo que costumam conduzir os negócios como se fossem filhos e têm maior preocupação com as pessoas, elas possuem um menor apetite ao risco do que os homens.

 

Apesar de todo o debate sobre os ganhos da Diversidade para o ambiente profissional ainda há muitos preconceitos, como: cor da pele, religião, orientação sexual e gênero. Já houve melhorias, mas ainda vemos exemplos de xenofobia, machismo ou racismo no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, a remuneração das mulheres é em média 28% inferior à dos homens, mesmo sendo maioria nas universidades e tendo, na média, mais tempo de estudo que os homens. Segundo o Instituto Ethos os homens ganham em média 25% a mais do que as mulheres no Brasil, mesmo entre os profissionais que exercem a mesma função no ambiente de trabalho. Em 2010, apenas duas das 100 maiores empresas do Brasil eram lideradas por uma mulher. Em outros países a situação é melhor, mas nem tanto. Os Estados Unidos, por exemplo, têm 46,7% de sua força de trabalho composta por mulheres, mas apenas 3% dos CEOs das empresas listadas na Fortune 500 são mulheres. Este é o fenômeno conhecido como “teto de vidro”, o qual ninguém enxerga, mas está ali, impedindo que mulheres cheguem ao topo das organizações.

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Bandeiras dos Paises

Holanda é um dos exemplos de que a promoção das mulheres em meios de trabalho é favorável à sociedade

Muitas mulheres possuem a crença de que não possuem as mesmas chances de serem promovidas, o que contribui para diminuir sua motivação de empreender esforços que levem aos altos postos. Outro fator que dificulta a ascensão de mulheres ao topo organizacional é o fato de muitas delas se dedicarem a formações acadêmicas mais humanas e menos tecnológicas, restringindo seu campo de atuação a trabalhos nos campo da saúde e humanidades. Há também quem argumente contra a promoção da mulher nas organizações, justificando que a sua entrada no mercado de trabalho foi acompanhada pela dissolução das famílias, do aumento do desemprego masculino, e com isso o aumento da violência. Países como a Holanda, onde paralelamente cada vez mais mulheres passaram a liderar empresas e a criminalidade diminuiu, estão aí para mostrar que esta correlação não existe.

De qualquer forma, o que se defende não é a substituição de homens por mulheres, muito menos a dissolução de lares sem pais presentes para cuidar de seus filhos. O que se almeja é a equidade de gêneros, em que pais e mães possam trabalhar e também se dedicar a suas famílias. Sim, isso pode ser viável, basta às pessoas uma verdadeira vontade de mudar, e às empresas estratégia, projeto e uma liderança que realmente invista no modelo. estrategia Esse projeto de diversidade é abrangente, pois precisa estar em diversas agendas: desde os presidentes dos países até os presidentes das organizações. Ao líder da nação cabe criar condições para que meninos e meninas de todas as classes sociais tenham uma educação digna até o nível técnico ou superior, e possam competir de igual para igual no mercado de trabalho. Nas organizações cabe primeiramente o diagnóstico de seu estágio atual de diversidade, através de indicadores que permitam identificar lacunas e definir metas.

Esses indicadores também servirão para mobilizar as pessoas sobre a importância do projeto, que deve ser liderado pelo presidente, já que as resistências serão diversas. Essa mobilização pode ser feita através de treinamentos e ações de mentoring, a fim de educar todos na organização sobre o projeto de diversidade. Posteriormente, a diversidade da empresa deve ser rastreada, passando por sua declaração de missão, visão e valores, regras dos processos, tecnologias, locais de trabalho, carga horária, e até mesmo pelo vocabulário organizacional. Termos sutis como homem-hora, por exemplo, trazem embutido um histórico de exclusão da mulher do ambiente de trabalho.

Um projeto desse teor significa uma forte mudança de cultura, o que implica confrontar o modelo patriarcal de sociedade existente há séculos, especialmente em culturas machistas como as latinas. Esta cultura está enraizada, inclusive em algumas mulheres, que ainda não se julgam capazes de liderar negócios.  Esse debate tem aumentado o senso de protagonismo de muitas mulheres, que se percebem cada vez mais autoras de suas histórias pessoais e profissionais.

empNos últimos anos tenho percebido um aumento crescente de mulheres buscando apoio para empreender, seja abrindo pequenos negócios ou mesmo atuando como autônomas. Empreendedores em geral enfrentam diversos desafios, tais como: planejamento do negócio, captação de investimentos, conquista de mercado, saúde financeira do negócio equilíbrio pessoal e profissional. Entretanto, além desses aspectos, as mulheres precisam se defrontar com suas crenças do que é ser mulher, e empreender em ambientes onde características masculinas tendem a ser mais associadas com o mundo dos negócios.

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Simone de Beauvoir, filósofa e escritora francesa, e ícone do movimento feminista, afirmou que “Não se nasce mulher, torna-se mulher.” Segundo ela, a mulher não nasce predestinada a um destino biológico, porém ao longo do tempo é desenvolvida dentro de uma cultura que define qual o seu papel no seio da sociedade. As mulheres, durante muito tempo, foram aprisionadas ao papel de mãe e esposa, sendo a outra opção o convento. Apesar de todos os avanços da sociedade, até hoje o machismo é muito presente na cultura, especialmente de sociedade latinas como o Brasil. Nos projetos de Coaching que realizo a maior parte dos clientes é de mulheres buscando reconhecer suas crenças limitantes e identificar nas oportunidades para criar o novo na Vida e na Carreira.

Empreender, seja o negócio próprio ou em uma organização é prosperar em oportunidades, sendo que muitas delas nem são percebidas de cara, mas o empreendedor antevê tendências e gerencia as mesmas. Sendo assim, primeiramente recomendo uma observação atenta de necessidades não atendidas entre seus amigos, na sua empresa, na sua comunidade, no seu bairro e cidade. Em seguida, verifique quais podem ser atendidas por você utilizando suas forças. É nesse encontro de oportunidade e vocação que se dão os grandes empreendimentos. A terceira etapa é o planejamento, de preferência com uma meta clara para pode ser mensurada. Sugiro começar simples e ir crescendo, é melhor começar um negócio nota 6” e ir avançando, do que esperar o ”momento ideal”, o sócio ideal, e por aí vai.

Sendo assim, é feito o convite a todos, homens e mulheres, líderes e liderados, de significar o novo e necessário papel que a mulher pode ter na sociedade e nos negócios. A valorização da mulher no ambiente de negócios só tem a harmonizá-lo, mostrando que o poder não é apenas masculino ou feminino, mas a conciliação. Nossos netos e netas agradecerão.

André Luiz Dametto apoia pessoas a transformar vocações em conquistas

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
Esse post foi publicado em Coaching, Comunicação, Educação, Equilíbrio Pessoal e Profissional, Essência da Vida, Gestão, Prosperidade, Qualidade de Vida, Talento e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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