Entendendo preconceitos e combatendo discriminações: um caminho de transformação através do Coaching

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Buscar traduzir métodos e ferramentas de gestão para o uso prático em nosso cotidiano é um exercício que sempre me atraiu, e encontrei no Coaching muitas respostas para esse caminho criativo. Em um mundo midiático onde é cada vez mais fácil emitir opiniões aos quatro ventos, ficam mais evidentes os diversos tipos de preconceito e discriminação. E isso é motivo de dor e desequilíbrio para muitas pessoas. Foi assim que, buscando trazer uma visão humanista que contribua para esse debate, pesquisei nas disciplinas de Gestão da Mudança e Gestão de Conflitos possibilidades práticas para atuar sobre essa chaga que um dia afetou, afeta ou afetará você, ou alguém que você ama.

respPrimeiramente denomino como preconceito a crença que se estabelece em relação a um alvo (indivíduo, grupo, sociedade ou objeto) antes mesmo da experiência de convivência com o mesmo. A discriminação, por sua vez, é o conjunto sentimento-ação que é gerado a partir dessa crença, sendo traduzida na forma de expressão contra o alvo do preconceito. Sendo assim, preconceito e discriminação seriam conceitos correlacionados, porém distintos: não necessariamente quem tem preconceito discriminará o alvo de seu preconceito. Entretanto, quem discrimina (sentimento mais ação) necessariamente teve preconceito (pensamento) em relação ao seu alvo. Portanto, eliminar discriminações é um caminho de entender e atuar primeiramente sobre os preconceitos, as suas causas geradoras.

gentilO primeiro passo para tratar este delicado assunto de maneira séria e equilibrada é evitar atacar irracionalmente aquele tem preconceito, isso seria usar “a mesma arma”, o que só evitaria uma resolução do conflito. É preciso, inicialmente, buscar entender essa forma de expressão do indivíduo. Um dos pressupostos do Coaching é que mapa não é território, ou seja, há uma diferença incontestável entre a realidade e a experiência de realidade. Toda pessoa tem seu próprio modelo mental, que é o seu mapa do mundo, e nenhum mapa é mais real ou verdadeiro que o mapa dos outros. Não é o “território” ou a “realidade” que limitam as pessoas, mas sim as escolhas disponíveis percebidas através de seus mapas. Cada ser humano cria sua própria realidade. A chave para apoiar e influenciar as pessoas é entender o seu modelo de mundo.

DSC_0014Nesse sentido, é preciso entender que na cabeça de quem tem um preconceito o mesmo é uma verdade muito útil, sendo considerado por muitos uma questão de sobrevivência. Paradoxalmente, em vez de se perceber como algoz, essa pessoa se percebe como vítima daquele que discrimina. Logo, seu preconceito é uma estratégia irracional de defesa à ameaça que o “diferente” pode gerar para sua ilusão de preservação, dominação e liderança. Aqui temos a uma chave para a mudança: buscar entender o mapa mental daquele que tem preconceito, identificando suas crenças de ameaça, e mitigando-as através de empatia, comunicação não-violenta e educação. Essa educação envolve esforços como:

1) Buscar entender as crenças por trás dos preconceitos, deixando que as pessoas esclareçam suas percepções de quem discriminam, e trazendo à consciência elementos muitas vezes subliminares;

2) Evidenciar que as diferenças entre as partes são mínimas, se não inexistentes (biologicamente os seres humanos diferem entre si apenas em 1% do código genético);

3) Mostrar racionalmente que uma parte não representa ameaça à sobrevivência da outra;

4) Difundir exemplos práticos de semelhança entre vítimas de preconceito e preconceituosos, utilizando fatos e dados, comprovando que são nulas as bases científicas da diferença de identidade e comportamento;

5) Explicar, através de casos bem sucedidos de integração discriminante-discriminado, que o ganho de todos significou o crescimento do sistema como um todo e, consequentemente, dos indivíduos nele inseridos;

6)  Apresentar as perdas provenientes dos conflitos para ambas as partes, e os impactos a longo prazo na individualidade dos que discriminam e dos que sofrem discriminações;

7) Recompensar e comunicar os esforços e ganhos obtidos por meio de trabalhos bem-sucedidos de mitigação de preconceito em alguma organização, seja empresa, cidade ou a sociedade como todo.

silVale ressaltar que casos de discriminação como assédio moral, violência verbal ou física, devem ser rigidamente combatidos, através de punição e comunicação educativa para a sociedade como um todo. É primordial mostrar a incongruência lógica da sucessão percepção-pensamento-sentimento-ação que gerou tais crimes. Aquele que ao presenciar uma discriminação não toma uma atitude, está optando por defender o opressor.

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proud.jpgNão podemos ter a ambição de exterminar os preconceitos da sociedade. Aqueles que se embasarem nos pressupostos antropológicos, perceberão que é instintivo ao ser humano rotular e classificar quem é “semelhante” ou não, se representa proteção ou ameaça a sua existência. Há linhas teóricas que efetivamente defendem o preconceito como forma de controle social, evitando conflitos desnecessários entre partes com ideologias diferentes. Acabar com os preconceitos é uma utopia, mas é fundamental eliminarmos as discriminações.

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O objetivo deste artigo foi discutir opções de escolha para os que têm preconceitos e discriminam, e também para aqueles que são discriminados, gerando assim novos elementos para o combate às diversas formas de preconceito (de cor de pele, religioso, cultural, gênero, orientação sexual, condições físicas, regional, etc.) Esse debate gera ganhos para todos, e muitas organizações estão liderando projetos nesse sentido. A chave é promover a diversidade como fonte de valor para a cultura, e não como um mero projeto de prateleira. Não existem pessoas sem recursos, há apenas contextos mentais sem recursos. Nossa sabedoria mais profunda está esperando para ser descoberta. A questão é saber como ajudar as pessoas a terem acesso aos novos recursos, quando adequados. A partir de ações educativas, como as práticas do Coaching, conseguiremos muitos ganhos de convivência e, assim, a evolução contínua de nossa sociedade. Viva seu talento, e conviva com a diferença!

André Luiz Dametto apoia pessoas a transformar vocações em conquistas

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
Esse post foi publicado em Coaching, Comunicação, Educação, Equilíbrio Pessoal e Profissional, Gestão, Pensamentos, Prosperidade, Qualidade de Vida, Saúde e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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