O que tornou a Apple um caso de sucesso (e por que ela pode deixar de ser)

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Fácil de usar, bonito, moderno, leve, valioso… são muitos os adjetivos que os produtos da Apple comumente recebem. E que negócio não gostaria de criar este efeito para se diferenciar no “oceano  vermelho” de concorrentes? Mais que a lendária figura do seu eterno líder Steve Jobs, pode-se dizer que um dos grandes diferenciais desta empresa é a incorporação do Design na sua forma de projetar e comunicar uma solução. Ninguém cogitou um dia demandar um iPod ou iPad para que engenheiros e executivos da empresa começassem a desenhar tais produtos.

Fica aí uma lição: não se inspire apenas em pesquisas de mercado. Muitas vezes os produtos, serviços e negócios que se destacarão no mercado advém da observação de experiências práticas, da realidade de consumo, e por que não, da intuição de pessoas inteligentes que comparam padrões emergentes na sociedade. Para tal, recomendo a leitura de relatórios como o Trendwatching e Springwise, fontes de tendências de negócios.

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Outra dica é o famoso “gastar sola de sapato”: viajar por terras desconhecidas, percorrer shopping centers, feiras de negócio e até mesmo mercados populares podem ser uma fonte riquíssima (e divertida) de informação. E, desta forma, você pode descobrir que aquela sua ideia meio esquisita de repente nem é tão maluca assim. Mas aqui vale a metáfora da girafa: cabeça nas alturas e os pés no chão. Uma vez encontrada sua eureka, é fundamental passá-la pelo crivo da sustentabilidade como negócio. É aqui que o Design aparece como uma forma de pensar e projetar, que pode auxiliar qualquer profissional, seja ele um engenheiro, um administrador ou uma dona de casa, a criar soluções que sejam inovadoras, praticas e, acima de tudo, rentáveis.

Recentemente apoiei uma empreendedora social a utilizar o pensamento de Designer para estruturar sua proposta inovadora de negócio. Primeiramente ela já possuía uma ampla experiência prática e teórica sobre gestão de negócios sociais, além de uma rede de contatos bem desenvolvida, ativo que se mostra fundamental para todo empreendedor que queira sustentar a sua ideia. Tradicionalmente os manuais de empreendedorismo nos direcionariam a elaborar um Plano de Negócios de 25 páginas contendo capítulos funcionais como Marketing, Finanças e Recursos Humanos. Entretanto, esta visão cartesiana já não dialoga com o tempo atual, em que velocidade e redes são atributos distintivos.

dtFoi assim que apostamos no conceito do Design Thinking, que visa a atender às necessidades das pessoas, equilibrando soluções que sejam tecnologicamente possíveis e estrategicamente viáveis, ou seja, capaz de transformar uma ideia em valor para o cliente. A primeira lição aprendida do conceito é o uso da Empatia: coloque-se no lugar do seu cliente. O que ele pensa? O que ele diz? O que dizem sobre ele? O que ele deseja? Quais são seus sonhos, anseios e conflitos? Quanto mais você equilibrar aspectos racionais e emocionais nesta investigação, maiores as chances de encontrar possibilidades distintivas de negócio. Aqui a velha máxima de tratar o outro como VOCÊ gostaria de ser tratado pode ser uma grande armadilha.

Sendo o negócio claramente desejável por seu cliente, é chegado o momento de avaliar opções de solução, utilizando ferramentas de criatividade que permitam chegar na maior oferta de respostas para o problema. Neste momento quantidade é qualidade. Após termos aberto bastante o leque, é chegado o momento de refinar as ideias, selecionando as melhores segundo critérios como custo, riscos e diferenciação, prototipando-as sempre com a pergunta “E se…?” em mente.

cocriação

Esta investigação também não precisa ser solitária: se você puder cocriar com seus clientes desenhos do seu modelo de negócio, são grandes as chances de serem criados produtos e serviços sustentáveis e com um mercado ávido por não apenas consumi-los, mas adorá-los e divulgá-los como se fossem seus próprios empreendimentos. Qualquer semelhança com a Apple não é mera coincidência.Uma ferramenta visual muito interessante para modelar as prototipagens em um modelo de negócio é o Business Canvas, que equilibra aspectos criativos e operacionais como: Segmentos de Clientes, Proposições de Valor, Canais, Relacionamento com Clientes, Fontes de Receita, Recursos-Chave, Atividades-Chave, Parcerias-Chave e Estrutura de Custos.

A polêmica em torno do termo Design Thinking é grande, já que o conceito não deve substituir o trabalho que os designers normalmente fazem. Trata-se de uma nova forma de pensar a gestão, fazendo com que qualquer tipo de profissional, seja engenheiro, administrador ou psicólogo, utilize ferramentas do Design a fim de potencializar sua capacidade de inovar. Deve-se ressaltar também que inovação não é sinônimo de ideia, criatividade ou invenção. É sim a implementação bem sucedida de novas ideias, gerando valor novo, seja através de aumento das receitas ou diminuição dos custos.

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Assim como a Apple não esperou o seu iPhone ficar perfeito para torná-lo um produto desejável por multidões, o seu negócio também não precisa ficar preso a infinitas prototipagens. Em algum momento o modelo mais refinado deve ser implementado e lançado no mercado, mesmo sabendo que será melhorado em futuras edições. Usar o Design como uma forma de pensamento ajuda a solucionar problemas tanto no mercado corporativo quanto na sociedade em geral.

Podemos afirmar que até mesmo a própria Apple está precisando rever seu modelo de inovação. Pesquisas indicam que os mais jovens já não consideram a marca a mais atraente, e muita gente está questionando a capacidade de se manter como uma marca inovadora. Concorrentes como a Samsung também têm lançado modelos mais avançados e que caíram no gosto de um espectro maior da população, em razão da ampla variedade de aparelhos.

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Este artigo buscou difundir a importância de prototipar possibilidades de negócio que dialoguem com necessidades reais das pessoas. É assim que grandes líderes e negócios se destacam e se perenizam. E você, o que pode começar a prototipar?

André Luiz Dametto apoia pessoas a transformar vocações em conquistas 

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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