A arte e a consciência

Hoje a amiga e fada peregrina Ana nos presenteia com a importância da arte para a tomada de consciência. Ana desenvolve um trabalho de treinamento e consultoria muito focado na construção de histórias que criem significado para a missão da organização ou do indivíduo. Também convido os interessados a ler a visão que elaborei sobre a importância da Arte para a Gestão, num neologismo que chamo de Marteking. Enfim, arte na vida de vocês,

André Dametto

No prefácio do livro “A Necessidade da Arte“, de Ernest Fischer, Antonio Callado diz que, de dia para dia, a vida humana torna-se cada vez mais complexa e mecanizada, dividida e subdividida em classes e interesses. Tornando-se independente da vida dos outros homens, esquece-se daquilo que completa e une os seres humanos: o espírito coletivo. A fé, o amor e a paz são os anseios vitais do homem deste século. Mas enquanto se vê capaz de dominar a ciência e a tecnologia, afasta-se sempre mais do seu semelhante, sentindo-se-lhe escassearem as mais simples condições de vida. Desde o início dos tempos, lutando contra a complexidade e a mecanização humanas está a Arte, elemento da vida espiritual de todos os povos, em todas as épocas. Configurando-se como a atividade que exprime cultura, sensibilidade e tradição, condicionada pelo seu tempo e representando a humanidade segundo idéias e aspirações, necessidades e esperanças, a Arte permite às comunidades explodirem seu poder criativo em várias manifestações.

 A Arte pode ser percebida como um excelente caminho para a consciência, tanto individual como  de consciência social. Ernst Fischer em  A Necessidade da Arte afirma :“a função essencial da arte para uma classe destinada a transformar o mundo  não é a de fazer mágica e sim a de esclarecer e incitar à ação; mas é igualmente verdade que um resíduo mágico na arte não pode ser inteiramente eliminado, de vez que sem este resíduo provindo de sua natureza original a arte deixa de ser arte.  

 A arte, em todas as suas formas, era uma atividade comum a todos e elevando todos os homens acima do mundo animal. Mesmo muito tempo depois da quebra da comunidade primitiva e da sua substituição por uma sociedade dividida em classes, a arte não perdeu seu caráter coletivo. Somente a verdadeira e autêntica arte consegue recriar a unidade entre o singular e o universal. Somente a arte consegue elevar o homem de um estado fragmentado a um estado de ser íntegro, total. A arte é uma realidade social. A sociedade precisa do artista, uma vez que ela capacita o homem a compreender a realidade, e mais ainda, a suportá-la e, ainda melhor, a transformá-la, tornando-a mais humana e hospitaleira para a humanidade. Esta é precisamente um das maiores funções da literatura e de outras formas de expressão artísticas. Finalmente, o homem que se tornou homem pelo trabalho, que superou os limites da animalidade transformando o natural em artificial, o homem que se tornou um mágico, o criador da realidade social, será sempre o mágico supremo, Prometeu trazendo o fogo do céu para a terra, Orfeu enfeitiçando a natureza com sua música. Enquanto a própria humanidade não morrer, a arte não morrerá.

É claro que o homem quer ser mais do que apenas ele mesmo.Quer ser um homem total. Não lhe basta ser um indivíduo separado.Além de sua vida individual, cada homem anseia por uma plenitude na  direção da qual se orienta quando busca um mundo mais comprensível e mais justo, um mundo que tenha significação.

Para concluir, deixo-os com Fisher em uma reflexão que caberia bem a qualquer membro do mundo corporativo. 

 “ Para conseguir ser um artista, é necessário dominar, controlar e transformar a experiência em memória, a memória em expressão, a matéria em forma. A emoção para um artista não é tudo; ele precisa também saber tratá-la, transmiti-la, precisa conhecer todas as regras, técnicas, recursos, forma e convenções com que a natureza – esta provocadora – pode ser dominada e sujeitada à concentração da arte. A paixão  que consome o diletante, serve ao verdadeiro artista; o artista não é possuído pela besta fera, mas doma-a.”

Beijo fraterno, Aninha, fada peregrina

Ana Lúcia de Mattos Santa Isabel

analucia@orioncomunicacao.com.br

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Blog: http://orioncomunicacao.blogspot.com/

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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