Os memes e uma vida mais equilibrada: #comolidar? curtiu?

Quero compartilhar com vcs um texto muito interessante sobre a importância da linguagem na configuração da sociedade. Após o texto reflita: que tipo de meme a sociedade precisa criar para começar a viver com mais equilíbrio?

A INVASÃO DOS MEMES – OS INVASORES DE MENTES

Ricardo Rosas

Uma nova ciência, baseada na linguagem e na percepção, está tomando

corpo. Esse saber, chamado de memética, aos poucos têm se disseminado,

com seu aparato de novas palavras, pela Internet.

O conceito básico é que palavras, idéias, são vistas como vírus, potentes

contaminadores de significados que podem ser espalhados

instantâneamente e que se auto-replicam na medida em que são

comunicados. O termo meme apareceu pela primeira vez no livro “ O Gene

Egoísta”, de Richard Dawkins, conceituado estudioso de botânica. Nele

Dawkins define o meme como um equivalente mental do gene, que reteria

as informações psicológicas básicas do ser humano e que funcionaria pela

imitação e com a capacidade de replicação. Os memes, nesse caso, reteriam

as informações básicas da espécie e estariam relacionadas aos mecanismos

de sobrevivência.

A definição inicial, no entanto, tem sido paulatinamente incrementada e

ampliada. Há cada vez mais estudiosos de memes, cursos voltados para essa

disciplina, e já chega a fazer parte de currículos acadêmicos. A memética

tem se voltado para entender os mecanismos de formação de opiniões, de

transmissão de informações, de criação de novos conceitos. Daí sua

aplicabilidade a estudos dos meios de comunicação, da mídia, da

publicidade, da moda, e, é claro, da própria internet. Há vários livros que já

saíram, em inglês, sobre o assunto e é enorme a quantidade de sites sobre

memes. A premissa fundamental de que um slogan, uma frase, uma palavra,

uma idéia, um estilo, um termo, podem ser um meme, é o que conta.

O enfoque da memética, em muitos casos, tem tido um mero víes

comportamental. Volta-se, em geral, para os hábitos repetidos e lugares

comuns, chavões sociais passados pelas instituições ou pela própria família,

de pai para filho, ou, numa empresa, de patrão para empregado.

Mas essa é só a ponta do iceberg. A subversão do conceito de meme tem

sido igualmente explorada, chegando a ser proposto que se hackeie memes.

A coisa evoluiu de tal forma que um mote já antigo, o da linguagem como

vírus, está sendo reutilizado pelos estudiosos dos memes. A metáfora do

vírus, que vocês já devem conhecer da famosa música de Laurie Anderson,

Language is a vírus”, vem por sua vez do escritor beat William Burroughs,

que acreditava que somos todos controlados pela mídia e meios de

comunicação e que a única forma de escapar a esse controle era emitindo,

criando vírus de linguagem, coisa que ele fazia através de sua experiências

com os cut-ups. Burroughs cutapeava os textos de jornais e revistas

recortando-os em pedacinhos e colando-os ao acaso para daí extrair novas

mensagens, reconfigurações de significados. Da mesma forma, aplicaria isso

a tapes, gravando conversas, músicas, sons de rua, de bares, de vários locais

e misturando tudo para obter novos efeitos, que explicará detalhadamente

em A Revolução Eletrônica. A noção de vírus cai direitinho no conceito de

disseminação dos memes, e mais ainda nos anti-memes ou memes

hackeados.

A abordagem  viral do meme não podia ser mais atual, nessa nossa época de

AIDS e vírus de computador, e é sob esse aspecto que os memes tem sido utilizados por grupos undergrounds como os zippies e os culture jammers.

Os primeiros, freaks cibernéticos ou cyberhippies, se autoproclamam eles

mesmos um novo meme e pretendem lançar cada vez mais novos memes,

unindo conceitos de tecnologia e misticismo, filosofia DIY (faça-vocêmesmo)

e psicodelia pela rede e pelo submundo eletrônico das raves. Já os

culture jammers querem a implosão semiótica do sistema capitalista e sua

mídia. Para tanto sua estratégia é a paródia, o plágio alterado (ou

deturrnamento, desvio), a interferência, o ruído. Essas estratégias de assalto

e sabotagem da mídia subvertem os memes propagados pela publicidade e

programas de tevê e seu objetivo primordial é modificar a visão passiva que

temos e absorvemos dessas mídias. Historicamente falando, um pouco do

que os dadaístas, situacionistas e punks vêm fazendo ao longo do século.

Agora que você já sabe o que são memes, cuidado. Este é um meta-meme.

Ele já está na sua cabeça. Espalhe-o por aí.

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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