E aí, vai um estresse?

O estresse moderno, como viver em função do trabalho e negligenciar a saúde, acarreta prejuízos a toda a sociedade – O Globo, 26.04.10

 

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RIO – Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) dizem que só nos Estados Unidos o estresse custa às empresas US$ 200 bilhões por ano. O prejuízo é causado por faltas ao trabalho de funcionários, perda de produtividade, internações em hospitais, entre outras despesas. Na União Europeia, o custo de problemas de saúde mental associados ao trabalho supera 3% do PIB. Na Alemanha, em 7% das aposentadorias precoces o principal motivo é a depressão. Para se adaptar às pressões diárias no mundo globalizado, é preciso ganhar vitalidade. E a melhor forma de conseguir isso é se antecipando ao estresse, por meio de medidas preventivas de saúde e mudanças de hábitos, afirma o médico Gilberto Ururahy, um dos diretores da Clínica Med-Rio Check-Up, com 50 mil exames realizados em 20 anos e co-autor, com Éric Albert, de “O cérebro emocional” (Rocco). Ele ensina a lidar com estresse, sem adoecer.

Confira uma lista de hábitos e atitudes frequentes no dia a dia que podem causar os mais diferentes tipos de dor

ESTRESSE CRÔNICO: “Com a globalização, a partir da década de 90, a economia transferiu para a medicina, sem pedir licença, todas as doenças decorrentes do estresse. E o cenário piora com as crises financeiras, as pandemias de gripes, a violência e o terrorismo. Não só no mundo corporativo, a cobrança por resultados e metas mais ambiciosas; fusões e aquisições, demandas por investimentos, exigências de aumento da produtividade e prazos curtos tornam o que classifico de ‘nômade contemporâneo’ mais vulnerável a problemas de saúde, devido à resposta inadequada à adaptação contínua.”

EFEITOS NA SAÚDE: “O estresse só tem efeito positivo na forma aguda, em casos eventuais de ameaça, de risco de vida. É o momento em que o corpo se prepara rapidamente para uma situação de fuga ou luta, para enfrentar ou escapar de uma ameaça. Nesses momentos começamos a respirar mais profundamente, os brônquios e as pupilas se dilatam, a glicose é mais direcionada aos músculos e o hormônio cortisol atua como analgésico e antiinflamatório, formando trombos para evitar hemorragias. Mas quando o estresse se torna crônico, os hormônios que ele produz levam a um estilo de vida insalubre. Com o tempo, a capacidade energética do nosso corpo se esgota e a pessoa pode sofrer de doenças graves. Pelo menos 80% de todas as consultas médicas têm ligação com o estresse.”

DOENÇAS AGRESSIVAS: “Em 20 anos de levantamento de dados de clientes submetidos a check-ups, observamos que algumas doenças como câncer e diabete estão aparecendo em idade cada vez mais precoce. Na maior parte dos casos elas são decorrentes de estresse crônico. Numa ponta está o hormônio cortisol, que, em excesso, causa depressão, baixa imunidade e perda do desejo sexual; forma placas gordurosas nas artérias e estimula o apetite, levando ao aumento de peso, retenção de líquidos, resistência à insulina, agressão à mucosa do estômago e destruição de neurônios associados à memória. Na outra ponta, está a adrenalina, o que leva à redução do calibre dos vasos, aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e do ritmo respiratório, acúmulo de colesterol, além de insônia. Por exemplo, o indivíduo que dorme mal e não sonha tem lapsos de memória e passa a se entupir de medicamentos, estimulantes e outras substâncias, como açúcar, carboidratos e álcool, para suportar o cansaço e relaxar. Na clínica, não é raro diagnosticar cânceres em homens e mulheres na faixa dos 40 anos; tumores de próstata e mama que antes só eram detectados acima de 50 anos. Hoje, apesar de as pessoas estarem mais bem informadas, há um índice crescente de diabetes tipo 2, jovens com sobrepeso, dormindo mal, hipertensos e sofrendo infarto aos 35 anos.”

PREVENÇÃO: “Como não é fácil viver sem o estresse do cotidiano, é preciso enfrentá-lo com segurança e preparar o corpo, aumentando a própria vitalidade. E isso pode ser feito adotando hábitos de vida mais saudáveis, conhecendo os fatores de risco para doenças e se prevenindo delas. Hoje ninguém precisa se surpreender com um problema de saúde em estágio avançado. Cerca de 73% das doenças têm relação com o estilo de vida; 10% são acidentes. A genética é fator importante em apenas 17%. O check-up mostra os efeitos do excesso de estresse no organismo, e hoje não é só mais um benefício oferecido pela maioria das empresas. É visto como um instrumento de estratégia.”

POUCO TEMPO: “Pessoas que alegam falta de tempo para se cuidar provavelmente têm baixa autoestima ou acham que problemas de saúde só acontecem com os outros. Observamos nos exames que 60% a 70% dos pacientes, cujo perfil é o do nômade contemporâneo, têm altos níveis de estresse, estilo de vida inadequado; são competitivos e obsessivos por resultados; 50% apresentam colesterol alto; 60% fazem dieta desequilibrada e 50% são sedentários. O índice de obesidade chega a 8%, bem como o de depressão.”

CONTROLE EMOCIONAL: “Às vezes vemos indivíduos assumindo mil tarefas, várias funções, e que dedicam a maior parte de suas vidas ao trabalho, às empresas, e parecem estar bem, felizes, saudáveis. Na verdade são pessoas monocórdicas, que só falam de trabalho, negócios. Quando alguém coloca todas as suas emoções num único segmento, elas vão faltar em outros. Essas pessoas terminam descuidando de si mesmas, da família. Em algum momento isso vai estourar. Elas têm grande chance de sofrer um grave dano à saúde, como infarto e derrame, mesmo sem história familiar. Na década de 90, as cirurgias de angioplastias e revascularização do miocárdio eram mais comuns a partir de 50 anos. Hoje temos casos de homens sendo operados aos 35 anos. É preciso reavaliar o estilo de vida. Já vi casos de pacientes infartados num leito de UTI preocupado porque durante a internação não terão como assinar documentos, contratos ou participar de reuniões de negócios.”

HÁBITO DE VIDA: “O check-up médico deveria ser incorporado como um hábito de vida. Ganha o indivíduo, a família, a empresa e a sociedade. O ideal é a busca de longevidade com autonomia. Vejo pacientes de 45 anos a 65 anos que começaram a se cuidar desde cedo e dão banho de vitalidade em pessoas mais jovens, na faixa dos 40. Mas só fazer os exames médicos não basta. O check-up é só um flash da saúde, um primeiro passo. Com os dados é importante seguir um programa de saúde, com metas a serem alcançadas ao longo de 12 meses, com consulta periódica. E o seu médico poderá ajudar muito.”

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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