Coragem e mudanças. E o Carnaval?

                            

Carnaval no Rio de Janeiro, impossível você não se render, afinal de todos os cantos surgem convites, bandas com nomes engraçados, as festas eletronicas mais bafonicas do ano, um sol convidativo, mas o mais contundente: aquela sensação hedonista de que “tenho que curtir super este carnaval”…

 

Nessa linha carpe diem, comecei na quinta à noite mesmo, encontrei uma amiga que amo de paixao, 2 meses sem conversar fizeram as nossas 4 horas juntos passar rapido e gostoso igual suco de groselha. Sexta-feira dei um trato na Vida: paguei contas, trabalhei um pouco, malhei, fui à praia, terapia, curso de fotografia e depois: fervo. Estou conhecendo um rapaz bem bacana, muito inteligente, espiritualizado e divertido. Creio que minha abstinencia de amizades esteja chegando ao fim, tks! Fomos juntos tomar caipirinha e papear num lugar bem interessante do centro do Rio, chamado Bar das Quengas. A caipirinha uma das melhores que ja tomei, o caldinho de feijao bem quentinho e encorpado (estou viciado), mas o interessante foi estar naquele ambiente democratico e sem poses. Muitas transex, gays da terceira idade (que para mim sempre foram uma incognita), e um clima tranquilo de estar ali para se divertir, e curtir a Vida mesmo que so houvesse vinte reais na carteira.  

 

Dali partimos para a Gafieira Elite, um lugar trash onde bandinhas de carnaval lembravam que se estava no Brasil, e nao num clube de sexo alemão. Preferi ficar do lado de fora vendo a banda passar, e eram muitos os blocos: mavambos, gringos, perdidos, filhos da Elza, e eu la, tentando ver onde eu me encaixava. Mas nao precisava, o legal deste lugar era justamente nao se categorizar, e curtir democraticamente o que pudesse acontecer. O sabado foi o dia mais interessante do Carnaval: praia, caipirinha, amigos, a sorte de marcar com pessoas na Banda de Ipanema e encontra-las, um veu de noiva como fantasia, paquerinhas e ate um casamento de mentirinha, afinal eh Carnaval. 

 

Domingo dia de acordar tarde, comer a farofa com aipo da mamae, dormir a tarde inteira e depois ir ver os carros das escolas de samba. Eu que sempre “torci” pela Mangueira e Flamengo, por osmose, escolhi neste ano uma escola pra chamar de minha: Beija-Flor. Linda, luxuosa, criativa e valorizando a comunidade. Tenho certeza de que vai incomodar, chegando entre as 5 primeiras. Depois, em Ipanema, fui verificar o basfond da Farme, que sem o teor etilico do dia anterior nao teve a mesma graca. Muito aperto, furtos de carteiras a todo instante, aquele clima de pegacao adolescente-carente que eu detesto e uma pergunta constante: o que eu estou fazendo aqui?

 

Talvez eu esteja ficando velho, chato e rabugento, mas está cada vez mais complicado gostar do mainstream, do que todo mundo diz que eh bacana, leve, gostoso. Creio que agora cheguei no título deste post: coragem e mudanças. Dói muito, mas tem uma hora na Vida que a gente precisa admitir o que gosta, o que não gosta, e tomar decisões, é isso que diferencia as pessoas de fibra da grande massa. Um grande medo que eu tenho é de ser uma pessoa comum, trivial. Talvez esta seja a maior sabedoria, aceitar-se comum, mas confesso que não gosto desta ideia. Acho o ser humano médio bobo, infantil e iludido. A maioria brincando de ser feliz… Sei lá, seriam eles os grandes sábios? 

 

Mas essa não foi a primeira nem a última postura que eu precisei tomar na Vida, e o bom dela é essa heurística de experimentarmos, avançarmos, recuarmos, e irmos moldando nosso self como uma grande alegoria. Talvez o Carnaval seja a metáfora da experimentação do novo totem, rompendo com os tabus que a sociedade (na sua maioria gente média) diz que eh certo ou errado. Enquanto muitos aproveitam este período para aceitar e expor o que guardam no seu íntimo, eu que faço isso 360 dias por ano escolhi estes cinco dias de folia para ancorar-me de coragem para mudanças no ano que agora sim se inicia. Tomar coragem pra abandonar o velho dói, mas carregar uma fantasia pra sempre é o que eu não quero.

 

Bjs pelados na avenida,


André Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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8 respostas para Coragem e mudanças. E o Carnaval?

  1. Carol disse:

    Gostei de ver que não sou a única a me questionar sobre “ser uma pessoa comum, trivial”. Mas, diferentemente de ti, o medo que tenho não é de ser comum, trivial, até já tentei ser pra ver se me sentiria uma pessoa mais leve, mais alegre, menos séria… Mas, infelizmente, não deu pra mudar algo tão profundo!
    Meu medo é de ter que conviver sempre com gente comum, trivial, sem ter alguém por perto que também se sinta como eu pra compartilhar esse sentimento, e então ser fadada a viver eternamente só, rodeada de pessoas comuns, triviais, vazias…
    Às vezes, a gente se sente muito mal por não se enquadrar na maioria, pode até parecer pedante ser diferente, não se sentir parte dessa massa (fui, muitas vezes, criticada por ter opinião diferente e por expressar essa opinião, sem medo, já sabendo que poucos iriam concordar comigo… Pra se expor,
    é preciso ter fibra, porque o peso de ter uma opinião diferente e ser duramente criticada é enorme.)
    Adorei o teu post, especialmente a análise/hipótese sobre o carnaval, expressa no último parágrafo! Por esse ponto de vista até que faz sentido toda essa movimentação pra uma folia de tanto tempo… Foi uma justificativa realmente excelente, convincente!
    Por esse ponto de vista, o carnaval tem seu lado bom.
    Um abraço.

  2. Andre disse:

    Carol, se vc ler esta msg me manda um email, quero conversar com vc. Bj, Andre (andre.dametto@terra.com.br)

  3. Du disse:

    .questionar, repensar, mudar. acho que esses são alguns dos ingredientes para viver uma vida real.

    .só a partir desses riscos, confrontamentos, batalhas, vitórias e derrotas que caminho pra frente e cresço como pessoa.

    .pois, ainda que aparentemente seguro, viver sob uma fantasia não leva ninguém a lugar algum, além da ilusão.

    .abraço.

  4. Leo disse:

    Sofro um bocado deste pavor de ser normal… ordinary.
    E passo por um momento sério de mudanças que vai definir quem eu sou. Principalmente define quem eu quero ser.
    Abs

  5. Flavia disse:

    André.
    Meu carnaval também teve seus momentos de afirmação, com novas e clarissimas definições sobre o que eu gosto ou não gosto…
    Em Salvador, no meio do mais quente e maior carnaval da terra, cheguei a conclusão que eu não gosto de gastar meu dinheiro (muuuuito dinheiro mesmo) pra ficar na rua, dentro de um cercado de corda, correndo atrá de um trio elétrico, com um monte de gente bebada me empurrando…CHEGA!! Que absurdo o que estes paulistas pagam/curtem!!
    Sou definitivamente uma pessoa de pequenos e doces prazeres: um por-do-sol a beira mar, uma refeição deliciosamente preparada, um vinho perfumado e único, e amigos queridos com almas leves ao meu lado…tudo de bom!! (e não precisa de quase nenhum dinheiro, aaaaafff)
    Um brinde aos simples prazeres e às marchinhas de carnaval!!
    Bjo, Fla

  6. shintoni disse:

    André:
    Valeu ter deixado seu perfil lá no Duelos!
    Já está postado! O link é:
    http://duelosliterarios.blogspot.com/2009/02/andre-dametto-perfil.html
    Confere lá!
    Valeu mesmo!
    Um grande abraço!

  7. Ana disse:

    André:
    Sou do Duelos e vi, pelo seu perfil, que tem a lua em gêmeos, como eu.
    Hoje foi postado um texto meu sobre a nossa lua.
    Lê lá, vê se você concorda e depois me diz, irmão de lua…

  8. Cristina disse:

    Amigo,
    esse ano foi o 1o carnaval que o carnaval do ano anterior foi melhor. Ano passado me equilibrei entre calma e zoação. Acho que tá mais para o meu momento. O importante é a gente ouvir o que o nosso coração, nossa alma, desejam, não por convenções. Eu adoro samba sempre – o ano todo – ficar espremida na corda do bloco que eu mais gosto pq um bando de gente que só sai no carnaval…
    Colocando a leitura dos blogs (uau, como tô atrasada no seu!), em dia
    bjs

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