Feliz Vazio, Feliz 2009!

               

Fim-de-semana em São Paulo, 2008 terminando, Madonna dando pinta na Paulicéia, amigos de todas as partes do Brasil, ou seja: fer-ve-ção. Escolhi esse post pra contar um pouco do que São Paulo significa pra mim, e engatando a deixa, pra falar de algo super polêmico: o Vazio! Eu confesso que me sinto mais paulistano do que carioca, afinal São Paulo é uma cidade do mundo, onde se encontram os melhores centros de ensino, museus, bibliotecas, restaurantes, e quaisquer ofertas de serviço que você imaginar. Em São Paulo as pessoas marcam compromissos e comparecem, realmente escutam a sua resposta quando você está dando uma opinião, e isso tudo facilita o relacionamento e o encontro da alma do outro. Algo que amo também em Sampa é a noite, tanto é que a melhor casa noturna do Rio precisou ser criada por um paulistano.

Aproveito o tema noite para discorrer sobre o Vazio. Isso porque, certa vez, me chega um amigo em plena pista de dança e resolve se abrir. Ele desabafa: “– Sabe o que eu MENOS gosto na noite? Acho tudo isso muito vazio…”. Ou eu puxava ele daquela muvuca, e como um AMIGO DE VERDADE sentava pra conversar decentemente, afinal a vibe não estava das melhores, ou eu mandava uma tirada que rapidamente resgatasse meu amigo da bad trip. Como eu estava me divertindo, e sinceramente, não estava nem-um-pou-co-a-fim de ser COACH às 4 da manhã, escolhi a segunda alternativa. Perguntei então pro meu amigo: “– Sabe o que eu MAIS gosto na noite? Acho tudo isso muito vazio…” Enquanto o vazio daquela experiência alucinante de sons, cheiros, gostos, imagens e toques era percebida pelo meu amigo de uma forma mais dolorosa, eu simplesmente acho este um dos pontos altos de uma boa balada. Isso porque dez aninhos de ferveção me fizeram aprender o que esperar de cada situação, pessoa, lugar, etc. E sinceramente, tudo que não espero da noite eh encontrar a metade da laranja, papos profundos e filosóficos, elogios sinceros, e toda a patuléia que o carente homem urbano procura quase que desesperadamente.

Confesso que eu mesmo já me senti como meu amigo, prometendo-me inclusive nunca mais ir para lugares x,y,z. Entretanto há algo no vazio da noite que me fascina: o descomprometimento, a liberdade para eu não ter que pensar, refletir, filosofar, ser coach, ser professor, ser consultor. O meu equilíbrio passa por justamente viver este Vazio, ate para que depois eu possa novamente me encher de coisas boas, úteis, e ser um bom amigo, coach, professor, whatever. A noite é extremamente útil pra mim, pois ali eu não preciso ser ninguém, não preciso ter nada, e se quiser, posso ate mesmo brincar de ser e ter o que eu quiser. Ao ouvir a resposta senti meu amigo dar um suspiro, e dois segundos depois ele ri, como quem dissesse: essa bee eh louca! Mas ele concordou comigo, e também percebeu como a gente se engana esperando coisas dos outros, dos lugares, das situações.

O Budismo nos diz que esperar algo eh quase sempre planejar a dor. Sendo assim, como mensagem de fim de ano, queria desejar um pouco de Vazio para todos nos, um Vazio onde estamos no corpo, no presente, se aceitando, sem esperar tanto assim do Papai Noel, dos amigos, dos familiares, de 2009. Paradoxalmente, desejo NADA pra mim, pra você, e quem sabe assim, tranqüilos no VAZIO que nós já somos, estejamos prontos para aí sim, poder receber mais AMOR, FELICIDADE, SAÚDE, DINHEIRO, e o que de bom houver, com equilíbrio. Feliz 2009 pra vc, abs

André Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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Uma resposta para Feliz Vazio, Feliz 2009!

  1. Nair Dametto disse:

    Oi, André: Embora trate apenas do Vazio da noite e das baladas, este post deixa entrever uma das grandes questões da humanidade, o vazio existencial, presente na vida de todo ser humano, em maior ou em menor intensidade. Todos temos em mente a angustiosa indagação: O que fiz de minha vida? Refletimos em busca de uma resposta. Então, acho positivo vc curtir conscientemente o Vazio, mostrando a outros que também podem fazer o mesmo. A partir do momento em que tomamos consciência que o Vazio existe, passamos a buscar soluções cabíveis, vivendo o Agora e interagindo com os outros, como vc faz no seu dia-a-dia.
    O escritor franco-argelino Albert Camus, refletindo sobre este intricado problema, defende a idéia de que admitir o absurdo é a única maneira de se situar no mundo de maneira adequada: “Não sei se este mundo tem um sentido que me ultrapassa; mas sei que não conheço esse sentido e que me é impossível por enquanto conhecê-lo; o absurdo é por enquanto o único laço que me une a esse mundo.” Um abraço pleno, desejando-lhe de tudo de bom.

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