Se fosse mais difícil ficaria mais fácil ser feliz

Uma amiga me dispara a questão: o que esta acontecendo com o ser humano? Como a pergunta estava muito retórica, pedi que ela me explicasse um pouco mais, ao que ela descreve a questão da insatisfação constante do ser humano, e os seus constantes desencontros afetivos e profissionais, por exemplo. Pergunta entendida, porém não trivial. O teor etílico do papo contribuiu para que eu evitasse as racionalizações e teorias complexas, e de pronto, sabe-se lá de onde, tirasse que, por tudo estar tão fácil no curto prazo, fica tudo mais complicado no longo prazo, em qualquer setor da Vida. Ok, você deve estar se perguntando: fácil pra quem cara-pálida?

Confesse, você realmente acha tãaaaao difícil assim encontrar um trabalho? Vamos além, será que é tão complexo encontrar alguém para dividir a pasta de dente? Sinceramente, eu acho que não. Pelo contrário, eu acho que está até fácil demais, quando se fala de quantidade, e não de qualidade. São as mil e uma oportunidades de trabalho desafiadoras descritas nas consultorias de recolocação, muita gente carente “a fim de algo sério”, as “amizades de infância” que se fazem e desfazem num piscar de olhos, a fast foda esporádica que alivia as tensões, as “seletíssimas” opções de marcas de luxo que fazem a classe média se sentir menos mediana, e por aí vai. Por trás desta facilidade toda, um fator fundamental: a tecnologia da informação, que coloca tudo e todos a um clique.

Nunca em nenhum momento da história o ser humano teve tanto acesso à informação. Este “efeito-google” faz com que seja criada uma sensação de democratização da informação, tornando muito fácil o acesso àquelas oportunidades de trabalho, amores, sexo e outros consumos que mais nos confundem do que nos satisfazem. E aí, vemos milhares de pessoas insatisfeitas com os seus pretensos trabalhos desafiadores, gente namorando porque tá todo mundo namorando, páginas de Orkut com 800 amigos que nunca telefonam quando você mais precisa, parceiros sexuais que banalizam o sabor do sexo bem feito, mas tudo muito bem empacotado em grifes, afinal qualquer cara triste fica até chique se os óculos são Dolce e Gabanna. Enfim, se no Google rejeitamos os sites que não nos satisfazem em menos de dez segundos, fazemos o mesmo com pessoas, trabalhos, sentimentos, enfim, com a Vida.

Eu que busco respostas no equilíbrio para as mais diversas questões, entendo que precisamos aprender a usufruir desta facilidade que o mundo das tecnologias nos permite, tendo acesso a informações sim, mas tendo o mínimo de paciência para filtrá-las, saboreá-las, convertê-las em conhecimento, e claro, descartar o que não for útil. Isso tudo me faz lembrar do lema Menos é Mais, da campanha do Slow movement e até mesmo dos 3Rs da sustentabilidade: reduzir, reciclar, reutilizar. A tônica de todos estes conceitos é a mesma: o mundo precisa aprender a valorizar mais a qualidade em detrimento da quantidade. Pode até ser mais difícil, mas paradoxalmente, vai ser mais fácil ser feliz.

André Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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Uma resposta para Se fosse mais difícil ficaria mais fácil ser feliz

  1. Nair Dametto disse:

    Robert Happé, em entrevista que circula pela internet, responde a várias perguntas: qual a razão de vivermos aqui nesse planeta, e o que estamos fazendo, e por que há tanto caos? Ele diz que a vida é uma jornada para descobrirmos quem somos. Quando chegamos naquela encruzilhada em que descobrimos quem somos, então alcançamos a paz. Isto é muito difícil, por inúmeras razões: todas as pessoas querem amar, todas elas querem ser amadas. Mas isso não é o que está acontecendo. De alguma forma, “é difícil para as pessoas amarem umas às outras, e serem honestas umas com as outras, e trocar coisas umas com as outras de forma honesta.” A jornada para ser feliz é longa e difícil, mas será uma experiência duradoura, que tornará as coisas mais fáceis para o ser humano. “O importante é não ter medo, acreditar em si mesmo, expressar sua luz, expressar seu amor. Essa é a experiência humana.” Vale a pena ouvir essa entrevista de Robert Happé.

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