(In)justiça brasileira

              

Está sendo simplesmente delicioso caminhar pelas ruas do Rio. Dois meses nos EUA me fizeram ver o Rio de outro jeito: gosto de caminhar na rua, ver as caras das pessoas, algumas relaxadas, outras meio tensas, os carros, os ambulantes, nossas cores. Enfim, cada vez que volto pro Rio gosto mais da nossa cidade. Mas como eu falei, nem tudo sao flores. Nem aqui, nem na China.

E o motivo deste post é um desabafo: minha ojeriza pelo monopólio que é o Judiciário neste país. Dois casos de pessoas muito próximas a mim mostram que nossa Justiça no Brasil não é apenas lenta, mas também machista e oligárquica. Se tem algo que gosto no capitalismo é a chance de poder comprar algo onde eu quiser, e se eu quiser. O problema é que quando queremos adquirir JUSTIÇA para nossas Vidas, somos obrigados a recorrer a um monopólio que é este Judiciário arcaico. Experimente um dia caminhar pelo Forum aqui no Rio de Janeiro. Eis o retrato desta justica: um emaranhado de corredores, rampas, portas, placas, colocando um jogo do pac man no chinelo de tantos labirintos.

Uma pessoa que recorre a justiça está no mínimo fragilizada. Entretanto este é um momento crucial onde se precisa tirar forças nao sei de onde: a escolha errada de um advogado (seja por competência ou ética do mesmo) só aumenta a desesperança do reclamante. Entao fica a licao: ao escolher um advogado, pesquise muito, converse com pessoas próximas e verifique alguém que realmente se comprometa com sua causa, que SINTA na pele aquela dor. Entretanto nem o melhor advogado livra você dos tramites burocraticos e da mente de um juiz, algo tao aleatorio quanto a direcao do bonequinho do pac man.

Agora, a pior parte: a parte reclamada. Aqui se aprende na pratica aquele ditado “a corda sempre arrebenta do lado mais fraco”. Justamente pela aleatoriedade do julgamento do juiz, é muito fácil para este sobrevalorizar os argumentos do lado mais forte, enquanto o lado mais fraco tem os seus mal interpretados e algumas vezes até desvirtuados. Prefiro nem entrar no merito da “tabela de precos” do Judiciario, algo que simplesmente me causa nojo so de pensar.

Enfim, ja que nao temos a quem recorrer, pelo menos liberdade de expressao existe no Brasil, e registro aqui minha profunda decepcao com a Justica brasileira. Sinceramente espero que as novas geracoes redesenhem nosso sistema Judiciario. A base de qualquer democracia é a equidade, e sinceramente, se os ares do Rio me fazem me sentir no 1o mundo, pensar nesta justiça me fazem me sentir no Engenho.

Andre Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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