Nova York: engula ou seja engolido

Caramba: Nova York! Fácil falar do que eh bacaninha nesta cidade. Ate quem nunca foi sabe enumerar as principais atrações e já ficou maravilhado com aquela profusão de prédios, design e o que ha de mais moderno em qualquer campo do conhecimento humano. Quem não se lembra exatamente do que estava fazendo quando caíram as torres gêmeas? Então, esta cidade povoa o imaginário de todo cidadão nesta tribo chamada Terra.

Pois bem, peco que descontem 50% do teor deste post em razão do meu cansaço apos 9 cidades esparsamente americanas, aumentado pelo frio de cortar que eu não acho nada elegante e um crescente teor nietzchiniano que as terras americanas me emularam. Mas gente: nem achei Nova York essa coisa toda! Sei la, mais de 50 cidades nas costas me dão cabedal pra dizer que, em termos de custo beneficio, Madri, Buenos Aires, Paris e Berlim ganham dis-pa-ra-do. Ate San Francisco achei mais interessante que NY. Realmente a cidade tem mil atrativos: arquitetura complexa, gastronomia no estado da arte, as roupas mais transadas, lojas com status de museu (com guia e tudo), museus de verdade (fantásticos), as ruas gracinha do Soho e Village e o Central Park, a experiência mais gostosa que tive na viagem. Mais detalhadamente, em uma igreja na 5th Avenue, que bordeia o parque, onde tive a felicidade de ficar durante 10 minutos sem ver uma vivalma.

Não sei se isso acontece com todo mundo, mas caramba, depois de 50 dias por aqui eu simplesmente fiquei fatigado de falar inglês. Ou eu não aprendi necas nas Culturas, Brasas e Anglo-Americanos da Vida, ou o povo aqui eh muito ruim de prosa. Nossa, eles não entendem nada do que a gente fala, vc tem que repetir toda hora, mudar a acentuação, e, quem sabe, eles entendem ou você finja que entendeu a resposta. Taxista então eh mestre em não entender nada do que a gente fala. Tinha horas que eu preferia me comunicar com sinais, grunhidos, qualquer coisa que me poupasse energia. Nessa linha catarse, quando eu ficava muito fulo, mandava uma carreira de 5 palavroes bem cabeludos na nossa bela língua portuguesa. A dica eh não olhar pro interlocutor, porque ai vc ta manifestando a sua liberdade de expressão, devidamente registrada na Constituição Americana. Da um alivio gente, aff. Alias, eh fato: sua fluência em uma língua estrangeira eh diretamente proporcional a confiança e intimidade que você tem com quem vc se comunica. Eu ia da turma de beginners ao advanced em minutos. Da uma conferida e depois me fala.

Foi cult caminhar no Central Park ouvindo Gaiola das Popozudas. Talvez tenha gostado tanto do Central Park por que la foi um dos poucos momentos em que tive paz em Nova York, em que não estava cercado por prédios e multidao. Eh incrível como você eh importunado a cada cinco minutos: uma hora, uma horda de turistas cheios de sacolas esbarrando em você como se fosse um joguinho de pac man em tamanho real. Outra hora eh um vendedor de cd de hip hop que quer q vc incentive o trabalho dele. Depois algum representante de uma ONG que quer salvar as crianças da Etiópia com a sua contribuição, eh claro. As famigeradas sirenes de Boston e San Fran dão lugar as buzinas. Muitas conversas de celular, e nos lugares mais inusitados. Muitos pedintes tambem, gente com fome, eh surreal. Gente louca acontece: destaque para uma senhora que, ao ver que um big carro parou na faixa de pedestres, disparou a dar varias bengaladas, e com forca, no capo do carro, deixando o saradao que o dirigia num misto de ódio e inação com aquela pobre senhorinha. A cena valeu por dois Mamma Mias… Sem falar nas vitrines e merchandisings que vc com certeza não passara incólume.

Destaque para as lojas da Prada no Soho, Louis Voitton e Apple na 5th Av: souberam fazem “Marteking” direitinho, trabalhando bem o conceito de Marketing de Experiência. Na loja da Abercrombie & Fitch você se sente na The Week: vendedores-modelo, house nas alturas, uma guerra de perfumes no ar, clientes afetadinhos (inclusive eu) desfilando e fazendo caron. Dois dias em NY e tem uma hora que sua cabeça começa a girar, e vc não sabe se esta num sonho, e dai pra vc achar que sua conta aumentou 3 digitos, que o dólar caiu de novo, que as suas ações da Vale dispararam, eh um pulo pra vc gastar horrores na Madison Avenue. Gente, chega a ser quase nojento como eles pensam em todas as formas de fazer vc abrir sua carteira a todo momento. E nesse mix de glamour e decadência do ser humano eh melhor vc ficar com a 1a opção pra não estragar a viagem. Bem, eu falei que Nietzsche tem me rondado bastante ultimamente…

Alias, como o homus capitalistus carrega cacareco. Varias vezes tive vontade de dar um grito e largar tudo no meio da rua. Contei rapidamente 20 itens que usualmente a gente carrega: casaco, óculos, luva, gorro, cachecol, guarda-chuva portatil, celular, fone de ouvido, câmera, carregador de celular, carregador da maquina, os seus respectivos fios que adoram se enrolar, agenda, passaporte, carteira, caneta, guia, folders das atrações, kit beleza-higiene e uma ou duas sacolas das compras q vc faz, aqueles papeizinhos tenebrosos pra vc entrar no ônibus do city tour. Alias, como eu detesto papeizinhos soltos e fios enrolados. Eles estão sempre enchendo o saco, e quando a gente precisa de um em especifico, eh uma paura.

Bem, a noite. Vi em NY uma noite bem multifacetada. Não existe nenhum mega club a la Rio de Janeiro. Muitos lugares freak, prefiro não entrar em detalhes. Mas destaco a noite de sábado na Pacha, onde vi vaaaaaaaaaaaarias japonesas Tókio. Segundo meu mineirissimo amigo Breno, Japonesa Tokio pode ser vc, eu, sua mãe, seu vizinho, qualquer pessoa que esteja pronta pra qualquer situação que surja durante seu dia. O outfit (e a atitude, claro) serve pra malhar, jantar com o bofe, para uma reunião de negócios, e ate pra dançar. Sim, esse visu existe! Adorei também ver as manifestações da clientela das boates, uma coisa a la Chicago. Diferente do ar inseguro e blaze que carioca e paulistano adoram fazer na noite, americano eh hollywoodiano, adora dar close no dancefloor! Todas querem ser Pussycatdools, Britney, Beyonce, rapper and so on. Me lembrem pra eu falar em off da “Roda das Boo-nee-tas”. Hi-la-rio!!!

A Arte: bem, a Arte eh a minha resposta atual para uma serie de indagações. Já encontrei algumas na ciência, muitas na filosofia, poucas nas religioes, mas a arte tem sido uma grata surpresa. NY foi muito rico: Guggenheim, MoMA, Metropolitam e City Museum, o suficiente pra não virar consumo de arte tambem. Enquanto estava em NY recebi uma mensagem fantástica, que coloquei no post anterior a este. Ela fala de como o ser humano valoriza alguém ou algo dentro de um contexto. Assim como em Miami, em NY muita gente consome arte dentro do contexto. O lugar onde mais encontrei Arte pela Arte foi em Chicago. E agora, compartilho a indagação para a qual ainda não encontrei uma resposta: reside aqui nos EUA uma grande paradoxo. Algo que eu penso eh que eh muito triste vc estudar anos e na hora de produzir não existir mercado para o seu conhecimento. Pelo menos aqui nos EUA, apesar de fordista e meio panaca, existe um consumidor pra tudo: cacareco, serviços, arte. Se produz muita arte, se consome também muita arte, mesmo que de forma contextualizada. E fica a duvida: o que eh pior: pouca gente valorizando arte como no Brasil, ou muita gente valorizando arte, mas de forma contextualizada, como nos EUA? Vou adorar receber a sua opinião. Falando em contextualização, a moldura “brasileiro” faz o americano criar uma serie de preconceitos a seu respeito, e na verdade eles nem querem (ou nem conseguem) ver sua essência de verdade. Eles adoram falar que brasileiro eh hot. Ok, next!

Voltando as vacas magras, o 11 de Setembro eh um marco na cidade, tanto que os guias comparam tudo a esta data: este eh o 1o prédio construído apos a queda das torres, aquele eh o 1o prédio projetado, aquele outro eh o 1o com sistema preventivo contra choque de aeronaves, e por ai vai. Dizem que na época do atentado, o nova iorquino ficou mais dócil, mas que não demorou 6 meses o jeito arrogante, apressado e frio a la São Paulo voltou correndo, de costas e de salto alto. Mas eu entendo o nova-iorquino gente: nessa profusão de gente, barulhos, enfim, estímulos, eh necessária alguma defesa, uma casca, senão eh fato: vc pira. Como todo ser humano, tudo o que o nova iorquino quer eh ser amado. Mesmo que ele compre esse amor… como falei no post do Sex and the city, no Dia dos Namorados. Alias, mais uns tres meses nos EUA e eu perco os dois parafusos que ainda me restam, não dou conta dessa terra não… Sei que eh super papo de jogador de futebol, mas quero dormir na minha cama, comer feijão, poder beber na rua, dançar ate as 8h, receber olhar simpático e tranqüilo dos prestadores de servico, cordialidade na hora de dar informação, enfim, nosso Brasil que da certo. Acompanho os jornais do Brasil pela internet e vejo algumas noticias que me trazem a nossa realidade por ai. Fica nítido que amo o Brasil, mas simplesmente detesto o conceito “Zé-povinho”, aquele brasileiro babaca, ignorante, desinformado, e que não faz questão nenhuma de evoluir. Se não fosse o mesmo, nossa, o Brasil seria per-fei-to. Por isso, novamente, E-DU-CA-CAO eh a chave pra essa nação. Trabalhemos!

Então, eis que chega o fim da jornada americana. Passei um dia em Washington, a Brasília dos EUA. Muito prédio branco, cidade limpinha, organizada, uma noite absurdinho, e aquela grosseria basica dos prestadores de serviço. Enfim, EUA, um beijo.

Andre Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
Esse post foi publicado em Comunicação, Minhas histórias, Pensamentos, Qualidade de Vida e marcado , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Nova York: engula ou seja engolido

  1. Nair Dametto disse:

    Enfim, NY é uma imensa, mega, cosmopolita caverna! Os nova-iorquinos todos olhando uns aos outros e a si mesmos, com medo das sombras – os turistas, os estrangeiros – que circulam à sua volta! Muitos aspectos, desde a arte até coisas e fatos triviais, podem ser analisados dessa perspectiva. Vc está voltando à casa, então não engoliu, nem foi engolido – ou seja, está do lado de fora dessa megalópolis cavernosa, e poderá voltar a ela, mesmo estando longe, sem medo de queimar seus parafusos. O lado ruim é ter que continuar aturando o “Zé-povinho”, e outros não “Zé-povinho”, muito mais detestáveis, por sua empáfia e imagem hipócrita que vendem à sociedade! Aff!!! Bem-vindo a casa!

  2. Cele disse:

    Miauuu!!! Vim acompanhando toda a sua viagem, me poupei de ficar escrevendo a todo momento porque você sabe que tenho tendência a escrever muito hehehe mas enfim, continuo embarcada, e através dos seus relatos pude estar em mais de um lugar at the same time! 🙂
    Cozumel e NY, Jamaica e Boston, St. Marteen e Fort Lauderdale! Enfim, tantas coisas por pensar, analisar, aplicar ao meu cotidiano e tudo isso sendo apresentado por alguém que eu amo, respeito e admiro muito: você! Poucas pessoas verdadeiramente o merecem mas….. Parabéns por ser você!!! Tenha um ótimo regresso. Com saudades, Cele.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s