Dando pinta em Boston, sim!

              

Sábado de manha, noite virada, chego sonolento em uma Boston com belas paisagens, céu azul e muito sol. Pra variar, pego um destes taxistas sonsos ou desinformados que querem q o passageiro ensine o trajeto pra eles. Preferi saltar no meio do caminho e pegar metro, me cansou menos. Como eu esperava, a cidade realmente tem cheiro de biblioteca. Ainda não fui a Irlanda, mas os entendedores dizem que Boston é uma mistura de Dublin e Londres. Vemos muitas daquelas casas de tijolinhos, dando a cidade vários tons de marrom. Todas devidamente refletidas nos imensos e modernos prédios espelhados, afinal, its United States! Aqui foram instalados os primeiros assentamentos dos EUA, a partir da colonização inglesa por volta de 1620. Também por aqui foram estabelecidos os fundamentos de liberdade que culminaram na independencia dos EUA em 4 de julho de 1776. Por isso os primeiros museus, universidades e sistemas urbanos dos EUA surgiram em Boston. Alias, curiosidade: a Constituição americana eh a mais antiga do mundo! Fruto das mentes proeminentes que desde seu surgimento transitavam pela Nova Inglaterra. Para ressaltar um DNA ingles, metade das atrações no centro bostoniano levam o termo Old ou First no nome: igrejas, museus, livrarias, meios de transporte e ate cemitério. Alias, por aqui encontrei o inglês mais difícil de se entender, alem de falarem mais rápido e para dentro, o acento eh mais britânico. O hot dog californiano aqui vira um hat dag, de tanto que eles puxam as vogais para a letra a. Falando em comida, hoje reparei que americano quase não usa faca, eles partem quase tudo com garfo ou colher. A cidade não eh tão grande, tem por volta de 600 mil habitantes. Fácil de transitar, ha ônibus e metro para todos os cantos, e as dimensões são infinitamente menores que Los Angeles, Las Vegas ou Orlando. Por todo lado vemos escolas, faculdades e universidades. Duas das instituições mais destacadas do mundo acadêmico estão por aqui: Harvard e MIT. Ao todo ha cerca de 50 instituicoes de ensino superior na cidade, o que atrai gente de todo Mundo querendo esta formação reconhecida mundialmente. 1/3 dos habitantes de Boston são estudantes. Por isso impera nas ruas o Nerdstyle: tons pastel, algum xadrez, combinações bem cafoninhas, muito pijama sendo usado na rua, alem de casaco, cachecol e boinas por causa do frio. Cor mesmo vc so vai encontrar nas mil e uma papelarias fantásticas que encontrei na cidade, com os cadernos e papeis de presente mais criativos que vi na minha Vida. O comportamento do bostoniano em geral também é bastante nerd: comportado, desconfiado, esnobe e competitivo. E isso quem afirma são os próprios. Algo que venho atentando em todas as cidades dos EUA, mas aqui em Boston ficou mais evidente, eh a educação protocolar do americano. Por exemplo, eles agradecem o motorista de ônibus mais truculento. Você agradeceria? Os lojistas perguntam como vai seu dia, como foi o fim de semana, mas não esperam muito dialogo. Eu gosto de responder que vou bem e pergunto como eles estão, as reações vão da lagrima contida ao súbito espanto. Como o blog tb eh cultura, um pouquinho de reflexao marxista sobre mais-valia: fiquei abismado quando soube que o homem-hora médio de um barman/garcon aqui nos EUA é US$ 3, menos que no Brasil, creio eu. Sendo assim, grande parte da remuneração destes trabalhadores vem das gorjetas que os clientes dão. Eu sempre via que todo mundo dava uma ou mais notas de US$ 1 para o barman, mas achava que fazia parte da educação protocolar americana. Mas não, eh solidariedade mesmo, pois o valor do drink vai para o dono do estabelecimento e o governo. Ai acontece o excesso do trabalho: quem eh rico quer ficar cada vez mais rico, já o pobre, tem que ralar para pagar as contas do mês. E assim todos trabalham muito, e sinceramente, o que menos se vê nessa gente toda eh serenidade e felicidade. Tenho achado o americano bem cabisbaixo, talvez reflexo da crise. E da-lhe a comprar, tomar ansiolitico e jogar no cassino para não refletir muito. Ai, ai, ai. Enquanto nas outras cidades americanas minha cor de canela e inglês com latin accent faziam sucesso, por aqui quase passei despercebido, pois o que não falta em Boston eh carioca. Muitos vem para trabalhar em torno da economia de serviços que o setor da educação movimenta. O maior numero de imigrantes em Boston eh de brasileiros, muitos do Rio e Goiás. Alias, tive a felicidade de reencontrar uma amiga de infância, a Luanda, que me recebeu em sua casa, com uma família linda. Fazia 10 anos que não nos víamos, e este reencontro foi muito bacana. Outro ponto memorável foi o bairro do Beacon Hill, cheio de antiquários e restaurantes delicinha. Ótimo para pedir um cappuccino e ver a banda passar. A volta do passeio aconteceu pelo Boston Common, o parque mais antigo das Américas, saído diretamente de um conto de fadas. Pra completar a experiência, um jantar bem gostoso com Gary e Danielle, um irlandês e uma italiana super gente boa que conheci na cidade. Andar por Harvard eh uma viagem no tempo e espaço: seus jardins, cafés e livrarias criam uma vontade imensa de experimentar sua comentada reputação de ensino. Quem sabe um doutorado? No Museum of Fine Arts obtive uma das respostas mais instigantes que vinha buscando na viagem, e isso eh simplesmente maravilhoso. Alias, eh fato: minha satisfação com uma cidade eh diretamente proporcional as pessoas e lugares que eu conheço. Por isso não existe cidade legal ou chata, e sim experiências legais ou chatas. Ate mesmo Las Vegas pode vir a ser, futuramente, uma boa experiência. Who knows? Outra coisa: toda cidade/pais tem seus pontos fortes e fracos. Como disse uma outra amiga, eh muito fácil enxergamos a grama verde do vizinho, mas todos os jardins tem belas flores e suas pragas. O interessante eh aprendermos com o que cada local tem de melhor, e adaptarmos nossa realidade para que a sociedade evolua. Por isso, volto ao Brasil com muitos aprendizados de todos estes lugares, e dentro da minha trajetória pessoal e profissional meu papel eh conciliar tudo de bom que já experimentei na Vida. Sempre me lembro de uma amiga de São Paulo que ao se despedir pediu pra eu “dar muita pinta” nos Estados Unidos. Morremos de rir, afinal se tem algo que sei e gosto de fazer eh dar pinta. Dar pinta eh mostrar quem você eh, se colocar em primeiro lugar sempre, eh se comunicar verbal e não verbalmente, e de vez em quando ate afrontar mesmo, por que não? Mas o lance eh que ser diferente incomoda demais as pessoas, principalmente as desinformadas, e como não sou zen, eu eh que fico incomodado quando alguém fica tirando sarro com a minha cara. Aqui nos EUA, se vc estiver bonito no shopping, dando aquela pinta do tamanho do Empire State, mas com o cartão platinum reluzindo, o tratamento eh uma maravilha, protocolar eh claro. Já na rua, eh vc passar por um rapper preconceituoso ou pela jovenzinha cheia de sarda que não foi selecionada para o American Idol, eh um show de muxoxo, risadinha, coxixo ou ofensa. Eh triste, mas enquanto no Rio de Janeiro cidadania eh trabalhar na Rede Globo, nos EUA eh estar em um ambiente devidamente monitorado e de preferência com 3 cartoes de credito a sua disposicao. E olha que o que não falta nos EUA eh diversidade. Ui, falei! Em compensação, venho aqui destacar um ponto bem positivo dos americanos: as pessoas possuem uma nocao de propriedade e limites muito interessante. O que eh seu eh seu, o que eh do outro, eh do outro,
e ponto. No primeiro caso acho que foi sorte mesmo, mas como contei em outro post, encontrei minha carteira no mesmo lugar onde havia deixado a mesma, dentro de um ônibus, ou seja, para um carioca como eu, mi-la-gre. Em Boston, situação semelhante: tive um bem perdido e devidamente guardado ate meu retorno. Também achei interessante a jovem que pediu que eu olhasse sua bolsa e notebook em uma lanchonete, enquanto ia ao banheiro. Vc faria isso no Brasil? Onde, me conta. Enfim, enquanto Chicago foi incubação de idéias e divagação, Boston com seu ar acadêmico foi uma tonica de realização e contextualização de respostas que eu vinha buscando. A cidade permitiu um fluxo bastante interessante de pensamento e sentimento, muito necessários para a criatividade que eu vinha buscando. Nos vemos com certeza algum dia Boston! Agora, que venha Nova York, e como não poderia deixar de ser, im so excited about that! Lets check! See u, Andre Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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2 respostas para Dando pinta em Boston, sim!

  1. Thon disse:

    Viajar é sempre muito bom, principalmente quando nessas viajens, temos a oportunidade de nos depararmos conosco mesmo e há um crescimento. Muito bom também quando encontramos alguém que mexe com sentimentos escondidos. Ahhhhhh! Viajens…

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