Disneylandia, uma experiencia completa

                     

Bem, quem me conhece sabe que sou irritadiço, pego pilha fácil, e depois de uns dias viajando os nervos ficam a flor da pele mesmo. Las Vegas testou minha paciência, mas se o objetivo da viagem eh descansar e curtir, a postura de “comer os morangos” foi a mais adequada mesmo. Mas o lance eh que percebo que tanto na Europa quanto aqui nos EUA, nos eh exigido um comportamento exemplar, entretanto as contrapartidas não são exemplares. Dentre as coisas que me irritam por aqui destaco algumas que acontecem a todo momento: 1 – Ninguém saber dar informação, como tudo aqui eh muito esparso parece que as pessoas não andam nas suas cidades, não conhecem nomes de ruas. Pra piorar quando você chega na bendita rua os prédios não tem numeração visível. 2 – O nativo fingir que não entendeu o q vc perguntou so porque vc não perguntou com o sotaque e com a acentuação ideal. Imagina um carioca fazendo carão quando um gringo pergunta onde fica Copucaban? Pois bem, o próprio gringo faria, especialmente se for imigrante, eles tem MUITA raiva de ver outro imigrante gastando e se divertindo 3 – Você precisar de grana e não encontrar um caixa eletrônico nem na rodoviária. E você precisa estar sempre preparado com pocket money, pois americano adora cobrar algo. Eles sempre adicionam o imposto sobre o valor que você vê escrito na etiqueta. 4 – O estado constante de tensão a que somos submetidos: uma placa escrito ‘E PROIBIDO xxx, ou outra placa dizendo VOCE PODE SER PRESO SE…, os barulhos de constantes (sirenes, buzinas, maquinas de videopocker) e a propaganda catrastrofica de apocalipse hollywoodiano que os filmes e jornais fazem por aqui. 5 – As piadas sem graça que eles fazem pra tentar amenizar este estado de tensão. Eu mando um carão na hora quando me vem com piadinha boba na hora errada. Imagina vc todo tenso que vai perder seu vôo e fica ouvindo piadinha. Nobody deserves… 6 – A forma como a criança americana eh tratada. Gente, parece cachorro. Ha sempre condicionais: se vc xxxx, vc ganha yyy. Ai a criancinha faz xxxx, ganha o biscoito e ainda ouve: goooooood boooooooy! Talvez esteja aqui a causa de tudo… Mas ate que enfim apareceu uma Disneylândia no roteiro. Gente, na Disney eu não consigo lembrar de um único momento em que eu tenha me irritado. E olha que eu sou chato. Eles sabem fazer um bom trabalho, ali eh o case de Marketing da Experiência. Tudo eh feito para proporcionar conforto e diversão, você chega as 9h e quando você menos percebe já são 20h. Eu simplesmente fiquei en-can-ta-do com a Disney, o slogan deles eh Disney, where your dreams come true. Bem, meus sonhos de viajante eram mesmo entrar numa bolha de tranqüilidade, e eu consegui. O atendimento eh intocável, mesmo sendo protocolar eles tratam cada ser humano ali dentro como um espectador de um show. O deslocamento entre os parques funciona super bem. Apesar de tudo parecer bem anos 90, eh bem cuidado, limpo, os cenários são bem feitos, e você se diverte ate no carrossel. O parque que eu mais curti foi o Epcot Center, onde o simulador de asa-delta e o Pocket Mundo vão ficar pra sempre. Nesse Pocket Mundo eles souberam reproduzir muito bem a experiência de diversos países, com prédios típicos, comidas, cheiros, musicas, funcionários nascidos naqueles países, enfim, você literalmente viaja pelo mundo dentro da Disney. Isso talvez explique porque aproximadamente 70% dos americanos nunca saíram dos EUA. Alem de serem auto-centrados, eles podem “conhecer” as outras culturas no pocket mundo da Disney, nos hotéis temáticos de Las Vegas, nas ruas de San Francisco e Nova York, e por ai vai. Imagino que este parque so pode existir devido a genialidade e criatividade do seu fundador, Walt Disney, aliada ao seu mindset de grandeza que todo americano possui. Eu gostaria muito de entrar na cabeça de um americano, a impressão que eu tenho eh que eles desde crianças são estimulados a pensar muito grande, então parece que você esta em Itu, tudo eh magnificado: estacionamento, shopping, hotel, copo de cola-cola, sanduíche, saco de pipoca, e por ai vai. O grande problema eh que apesar de abundante, este mindset também eh egoísta, sendo assim, vive-se o paradoxo do Tudo sem Visão do Todo. Por um certo prisma foi bom viajar pelo mundo dentro dos EUA, pois apesar do viés Disney em todas as atracoes, ficou nítido que enquanto americano pensa grande, pensa em massa, quantidade, o europeu eh mais voltado para o esmero, para o nicho, e qualidade. Usando um conceito de estratégia, eh como se o americano fosse muito bom em economia de escala, e o europeu em diferenciação. Tanto eh que quando americano precisa trabalhar diferenciação recorre a competências desenvolvidas na Europa, assim como os europeus vem pra ca aprender sobre o business para grandes massas. Mesmo na Europa, muitas das cadeias de serviço para consumo de massa são americanas, sao eles que sabem lidar com isso com maestria. Veja que o automóvel, o computador, o filme blockbuster e o fast food foram inventados aqui. Já o perfume premium, o design conceitual, o filme noir e o slow food são criações européias. E o Brasil, o Rio de Janeiro, onde ficariam nesta classificação? Percebo que temos no Rio uma grande diversidade de culturas, no post de Los Angeles ate busquei criar uma analogia das cidades com nossos bairros. Ate agora tudo nos EUA me pareceu bastante Barra da Tijuca, somente San Francisco ficou uma coisa meio Copacabana, talvez Lapa. Não sei se estou errado, mas o Rio de Janeiro ainda não definiu uma identidade, e nem sei se quer definir. O que mais me irrita no Rio são justamente os aspectos americanos que o carioca tipico adora copiar: a valorização da plasticidade, o consumismo competitivo, o trabalho desequilibrado e o excesso de carros nas ruas. O que eu mais amo no Rio são os aspectos europeus: a sua cultura artística, as ruas e arquitetura antigas quando conservadas, meus amigos inteligentes, cultos e sensíveis. Fiquei com uma duvida existencial que me intriga: já que eu gosto tanto deste mundo europeu, deveria eu me mudar para ele, ou já que nasci no Brasil desenvolver meu ecossistema particular desta forma em minha terra natal? Isso daria um puta bate-papo com um psicólogo, sociólogo ou antropologo. Quem puder me dar um help eu agradeço. Outra duvida que me bateu foi sobre uma questão ético-paparazzi: ate que ponto podemos invadir a privacidade do outro em nome de uma foto? No meu caso, meu foco eh totalmente artístico/antropológico/turístico, então as vezes vejo cada cena q da uma vontade de clicar, mas fico com receio de estar sendo inconveniente. Ainda mais nos EUA, se processa por qualquer motivo… Alias, como americano usa sapato feio gente, caramba! Eles compram a roupa mais cara, vistosa, se enchem de gadgets, mas na hora do sapato eh um deus nos acuda, acho q vou começar a fazer umas fotos e depois abro um concurso do sapato mais feio da viagem, vcs me ajudam a escolher. Bem, a Disney foi uma bolha de tranqüilidade na viagem, mas como toda bolha, instável. Alias, parece que bolha por aqui eh algo típico: alguém ai esta sentindo na pele os efeitos da crise economica americana? Outra bolha… Abs, nos falamos depois de Fort Lauderdale, cause I worth it. Andre Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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2 respostas para Disneylandia, uma experiencia completa

  1. Judson disse:

    Primeiramente, eu tenho que desculpar-se por minha tradução má. Como você tem visto já, América tem duas muito caras da diferença. Um, pessoa ocupado, educado, respeitoso, aterrado e cultivado diverso, aberto que assemelha-se àquele de uma cidade européia civilizada. O outro receoso da mudança, das diferenças em outro, de carros grandes, casas grandes, anti-cultura e falta um respeito para povos e o ambiente. Favorecem fachadas e bolhas grandes sobre a substância e a consciência. Eu recordo indo a Disney como uma criança muitas vezes. Este lugar é muito uma “bolha”. Mas sere uma finalidade que pode faculdade criadora incentivar e de dente reto e mentes abertas. Para crianças eu penso que este é muito importante. O sinal de adição, quem não gosta de Mickey Mouse?? É triste, mas muito verdadeiro que alguns americanos não viajam nem não se importam para experimentar o mundo em torno deles. Sarah Palin é um exemplo triste desta – o candidato, VP, para John McCain! Quer ser os EUA VP e tem, até que recente, simplesmente viajado a México e a Canadá! Aprecie as águas do sol e do oceano de Florida. Considerações mornas, Judson

  2. Nair Dametto disse:

    O post é um passeio na Disney por uma criança e um adulto, passeando lado a lado. E também me levou junto, porque deixa perceber que você curtiu a Disney, viu o que queria ver e observou o máximo. Imagino vc nas ruas analisando os americanos e de olho nos sapatos daquelas americanas tipo self made women. Elas e eles é que deveriam observar e aprender com você, mas devem se achar o máximo. É hora de se divertir e esquecer os altos e baixos da bolsa, do dólar. O mundo está cada vez mais caótico, e fico feliz em constatar que isso não afeta seu ânimo, nem a leveza do que escreve no post. Excelentes passeios e experiências em Fort Lauderdale, e descanse também, sem nenhum problema. Bjs.

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