You´re welcome!

            

A ida pra San Fran começou meio tensa, porque resolvi ir de ônibus de LA para evitar os estresses de aeroporto, mas encontrei um motorista que dava ordens militares, falava alto, disgusting! Os prestadores de serviço publico tem uma postura meio militar por aqui, e percebi que na terra dos americanos todo cuidado e pouco, afinal qualquer coisa pode ser motivo para uma infração. Estresse compensado pela chegada em SF, uma cidade ladeada de água por todos os lados e com um skyline maravilhoso. Prédios modernos, conversando com construções antigas de estilo vitoriano (aquelas casinhas antigas com duas cores combinando e flores).

Como cheguei na cidade um dia antes do planejado, não tinha reserva no hostel, então deixei minhas malas e resolvi curtir a noite de SF. Mas bela ilusão, por aqui tudo fecha `as 2 da manha, algo que pelo visto eh comum nos EUA, medida para fazer com que as pessoas bebam menos e a violência seja reduzida (Do you really believe in that?). Caminhando pela cidade encontrei um espírito cultural, pessoas educadas: uma vez dentro da cidade, você eh bem tratado pela população, eles desejam bom dia, boa noite, pedem licença e falam you’re welcome a todo momento. Resolvi ir pro basfond, mais espeficamente em Castro, um bairro antigo e com veia de cultura. Bares abertos, uma cultura gay fortíssima, e começam as novidades: em plenos 13o C (em SF a amplitude térmica eh imensa, vale a pena se vestir em camadas de roupas), do nada um senhor já sem camisa (?) resolve retirar sua calca (??) at’e ficar completamente nu (???). Eu achei aquilo tudo muito surreal, e para verificar que realmente era um fato chamei um rapaz que caminhava na rua e perguntei: – Este senhor esta completamente nu? O jovem ri, responde que sim, mas sem muito espanto, um leve sorriso permeia seu discurso. Eu tão traumatizado com as regras americanas devolvi: – Mas ele não pode ser preso? O jovenzinho da outra risadinha e diz que sim, but… e continua caminhando como se naaada tivesse acontecido. Depois vim a saber que este senhor e mais outros dois são habitue do pedaço, e fazem sempre esta performance, a diversão deles eh ficar completamente nu na porta das boates. Sur-re-al!

 Fui então caminhando de bar em bar, ate encontrar Sophia, uma nicaragüense super gente boa que resolveu me apresentar o pedaço. Fomos para uma festa de hip hop, cheia dos tipos clássicos que vemos nos clips: muitas correntes, gírias, roupas XL, mas o melhor era ver que se tratava de uma festa hip hop friendly. Para quem conhece um pouco da cultura hip hop no Brasil sabe o quão inovador eh ver um yo maaaaaaan gay. Depois de alguma farra (afinal a noite acaba `as 2h) estava eu literalmente sem teto em SF. Fui pro albergue na intenção de encontrar qualquer cantinho pra me encostar. Descobri uma sala de vídeo vazia e com um carpete quentinho, foi ali mesmo que me deitei. Pena q nos EUA tudo eh filmado e não deu 30 minutinhos de sono alguém disse que “ era melhor eu não ficar ali”. Ok, fui pro sofá do hostel e ali fiquei ate 8 da manha dormindo em umas posições a la yoga.

 Acordei naquele dia com uma vontade de consumir, me senti estranhamente americano. Coloquei na cabeça que precisava de um notebook, e ate encontrar um não aquietei. Passeei no centro financeiro (lindo, lindo!), Chinatown (aqui vc s’o vê chinês e turista, no resto da cidade “somente” 50% são chineses). Alias, curiosidade: o biscoitinho da sorte que vem no seu pedido do China in Box foi inventando por um japonês, e aqui em San Fran. O mais gostoso eh passear pela cidade nos bondes, são lindinhos e poupam seu corpicho de tantas subidas e descidas, afinal a cidade eh toda composta de morros, tipo Belo Horizonte. Nesses bondinhos se lêem placas escrito Uscita, ou seja, saída eh italiano. ‘E que San Fran resolveu comprar bondinho pelo mundo todo, inclusive uns da Itália. Depois fiz o tradicional passeio de ferry boat que passa pela Golden Gate Bridge, por Alcatraz, e proporciona uma visão fantástica desta cidade, que naquela linha comparações, me pareceu uma grande Lapa dos tempos contemporâneos, com sua cultura, muitos prédios novos aparecendo e algum desleixo com a população de rua (aqui ha bastante). Em alguns aspectos também lembra Florianópolis, por causa do clima agradável, a ponte histórica, alem do fato de ser a “queridinha dos americanos”. Todo mundo gosta de vir aqui passear e muitos ate vem se aposentar e morar por aqui. Mas prepare a carteira: a cidade eh cara. Os preços dos imóveis ainda são inflados, a comida eh gostosa, os hotéis magníficos, mas tudo muito bem precificado. Para economizar nada melhor do que os fast foods mexicanos que encontramos aos montes na Califórnia. O taco eh a versão californiana do kebab que tanto vemos na Europa.

 Falando em hotel resolvi a fazer a linha rrrrrrrrica e fui conhecer lobbys poderosos de hotel. No do Four Seasons tinha um piano maravilhoso, atendimento 5 estrelas, momento para registrar os momentos da viagem e refletir. Saindo do hotel, meio altinho, entrei numa loja maravilhosa da Mac e l’a comprei impulsivamente o notebook que eu tinha desejado o dia inteiro. Também amei os lobbys do Clift, do Marriot e do International Mark. Nesse ultimo rolou momento loucurinha de viagem. Como nessa semana toda rolou em San Fran um encontro da Oracle, com mais de 40 mil funcionários, fornecedores e clientes, pululavam coquetéis para ver e ser visto na cidade. Nesse hotel eu acabei entrando sem querer num coquetel da empresa, e naquela linha cara de pau eu de viajante mochileiro encarnei um cliente da Oracle, bati papo com o povo e tudo.

 Momento risadinha foi a família de Singapura com quem eu dividi o quarto do albergue. Eram o pai, a mãe e o filho de 21 anos que eles tratavam como uma criança. Não sei se faz parte da cultura deles mas gente, como eles arrotavam. Me dava pânico qdo estavam os três juntos no quarto. Mais hilário foi quando a senhorinha resolveu arrotar na minha frente e eu comecei a rir mesmo, e ela me fez aquela cara de What?! Pra não criar climao resolvi comentar como havia sirenes em San Francisco, e que achava aquilo engraçado. Acho q ela acreditou. O momento mágico da viagem foi o Golden Gate Park, sooooooo fabulous como dizem os americanos. Muito paisagismo, museus fantásticos, aquelas experencias sensoriais que ficam pra sempre na memória. Quem me conhece sabe q eu adoro gritar, especialmente quando estou feliz. Então eis que eu encontrei uma instalacao fantástica, não havia ninguem e pensei comigo mesmo, putz q vontade de gritar aqui. E o fiz, bem alto! O problema eh que americano tem delírios persecutórios e logo veio um segurança esbaforido para ver se não estava ocorrendo um incidente…

Para concluir bem a viagem fui curtir Sausalito, uma cidade do lado de San Fran com climao bem Búzios, restaurantes, turistas, roupa fashion e colorida. Momento gargalhada foi quando estávamos eu e alguns amigos discutindo sobre a palavra Bitch. Aqui se usa bitch pra tudo, que vai de uma escala de piranha `a querida mãe abençoada. A diferença esta na entonação, o cool eh dizer fazendo uma vozinha de Bart Simpson, quase uma cabra falando bitch. Its hilarious! Eis então que percebemos que a mesa tinha virado o centro de atenções do restaurante, a ponto de um grupo de senhoras canadenses vir tirar fotos conosco. Mas eu querendo então praticar a nova palavrinha, virei pra tiazinha canadense e mandei um: Bye bye have a Nice time bitch! Pra que? Ela fez uma cara tão feia, e perguntou: Where are u from? Eu sentindo que tinha feito besteira já fui pedindo desculpas, dizendo que estava aprendendo um novo termo e que quis ser simpático. Ela então comentou: take care with your friends lessons, honey! Eu concordei, fiz a linha simpatia, mas no final me deu uma vontade de mandar: have a good time bitch! Ok, deixo pra usar no Brasil com minhas amigas meeeeeeega bitch! Hoje no aeroporto um breve momento tensão, meu bilhete teve uma marcação SSSS, que deve ser algo do tipo suspect suspect suspect suspect. Um saco, tinha quase que fazer teste da farinha. Pra compensar, um vôo cheio de gracinhas da Virgin America. Os sérios mocinhos eficientes da TAM aqui são substituídos por rapazes e mocas saídos de um show de auditório, fazendo concursos, sorteios e o avião eh um luxo: todo roxo, cadeiras de couro, so glamurous, so san Francisco!

 Enfim, ameeeeeeeeeeeei San Fran! Como esperava, encontrei muita gente bacana em SF e tive experiências que guardarei para todo sempre, Agora parto pra loucura que deve ser Las Vegas. O ditado diz que what happens in Vegas, stay in Vegas, mas no próximo post eu trago a parte light da viagem. Bjs e obrigado pelos emails deliciosos que tenho recebido dos amigos.

See u, Andre Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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