Eu amo ir a um baile funk

                 

Aquele prato delicioso de comer com os olhos fechados, saída com amigos divertidos para um local inesperado, beijo na boca, uma noite bem dormida… há experiências que deveriam compor uma “cesta básica” na vida de todo ser humano. E é o que faço quando começo a ficar ranzinza, ou divagante, ou por pura luxúria mesmo. O lance é se conectar, ou melhor, se encaixar.

E sem duplo sentido, se tem um lugar onde eu me encaixo é em um baile funk. Primeiro, o funk: é um ritmo cadenciado, criativo, é impossível você não ficar contagiado. Levante o dedo quem nunca entrou no ritmo. Mas o funk é apenas o gatilho de um fenômeno que eu acho incrível: a celebração per si. Um baile funk é uma experiência de sons, cores, cheiros, toque e por que não, gostos.

Uma coisa que eu gosto é de ver todo tipo de gente: o jovem de comunidade que colocou uma roupa bem bonita para curtir a noite, a patricinha que busca uma emoção nova, um grupo de jovens cineastas gravando um documentário, algumas pessoas de muletas e até de cadeiras de rodas (são algumas das mais animadas), e um fio condutor unindo toda essa gente: a vontade de aproveitar aquele momento. Diferentemente das label parties ou must go clubs que a gente conhece na ponta da língua, a crítica e o carão ficam na porta do baile, onde uma revista feita por seguranças imensos deixa qualquer drenagem linfática no chinelo…

E uma vez lá dentro, se jogue! É lindo ver a sensualidade das moças no rebolado que enfeitiça, é fantástico ver homens de todas as idades dançando de olhos fechados, fazendo trenzinhos, rebolando mais do que as próprias mulheres. Até hoje nunca vi puxão de cabelo, as meninas são muito mais cortejadas do que assediadas. Outro diferencial é que as pessoas dançam entre si, formam grupos dinâmicos, rodas e passes ao mesmo tempo difíceis e fáceis de aprender, e aceitam-no como se estivesse fazendo parte de uma celebração. A celebração da Vida, do momento.

No final da noite você está todo suado, e com um riso imenso estampado na cara com aquela sensação de que a noite valeu muito a pena. E para o ser que lhes escreve, sempre alguma lição, sendo a principal a de que não precisamos de muito pra se divertir, justamente onde se tem menos é que se valoriza as coisas mais bonitas, que são o sentir, o real, o brincar, o rir, o não ligar para a opinião do outro. Que venham os próximos bailes…

André Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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