Liberdade e Dignidade

                         

Um tema sobre o qual venho refletindo nesta última semana é a Liberdade, talvez pelas leituras sobre Roberto Freire e a experiência da Somaterapia, criada pelo mesmo. A Soma (como a chamamos carinhosamente) estimula a reflexão sobre a ética anarquista e a responsabilidade do indivíduo contra os mecanismos de opressão social, muitas vezes introjetados em nós mesmos em formas de crenças e couraças. O trabalho é desenvolvido em grupo, inclusive estamos formando o nosso, caso você tenha curiosidade sinta-se convidado para conhecer o trabalho (www.somaterapia.com.br).

                   

Dentro do processo terapêutico é utilizada a Capoeira Angola, e hoje tive a oportunidade de participar de uma roda na academia. A Capoeira instila em nós alguns elementos corporais que tem tudo a ver com o conceito de Liberdade. A história nos mostra que ela nasce no berço dos gritos por liberdade dos nossos bisavós negros. Bem, primeiro vale especificar que capoeira não é luta, raiva, pelo contrário, é amor. Não há vencedores, competições, há o jogo, a roda, e quem ganha sempre é o grupo. Entretanto, os conceitos de ataque e defesa estão presentes, é preciso estar preparado para entrar na Roda da Vida. A Capoeira nos ensina a ter os pés firmes no chão, quando estamos inseguros buscaremos nos segurar nos outros, e esse é o primeiro passo para a vitimização. Ela também nos ensina a olhar nos olhos, e estar atento para os passos que o outro irá dar no jogo, o bacana é acompanhar e quase dançar na capoeira. Também é preciso proteger o rosto, a mente, a consciência, nossos braços sempre nos defendem de eventuais sustos, alguns inconscientes e involuntários do companheiro com o qual estamos jogando. Qualquer semelhança com a Vida não é mera coincidência. Os companheiros que estão fora da roda entoam cantos, que são verdadeiras hístórias da nossa cultura, e as palmas dão ritmo e empolgação à roda. E é importante estar atento, em algum momento é preciso ter Coragem e entrar na roda, como na Vida, ninguém nos convidará para entrar, é um ato de autonomia buscar o momento certo, não querer participar de mais nem de menos.

Como na época da Ditadura, quando através de música clamávamos por liberdade (tira de mim esse cálice), a capoeira é uma bela metáfora a respeito da importância da liberdade. Percebemos que a escravidão negra e as ditaduras só terminaram na teoria. Mas além disto vemos outras ditaduras, e a constante diminuição do poder crítico e da autonomia das pessoas.

 É a favor da liberdade de ser quem é, de forma responsável e vagabunda ao mesmo tempo, numa sabedoria dos Deuses, é que a capoeira nos convida a participar da roda. Me sinto leve.

Interessante esta experiência da capoeira num momento profissional onde reflito também sobre a Engenharia do Entretenimento, que a meu ver é a Engenharia do Prazer, algo que a capoeira proporciona. A UFRJ dá um importante passo na discussão sobre este tema, e ver a interação dos engenheiros com produtores culturais, comunicadores, artistas e outros profissionais mostra o quão livre é o engenhar. Uma das conclusões do congresso foi sobre o conceito de entretenimento, do latim tenare, agarrar-se à alma. Nos pareceu bem distinto do americanês entertainment, que remete à distração, muitas vezes sem crescimento do ser humano e do seu entorno. Acho muito interessante a formação de Engenheiro pode ser muito útil para criar um mundo melhor através do prazer. Bem que eu sempre quiser viver o Hedonismo, mas seria ele possível? Alguém me ensina, por favor.

A grande reflexão com que concluo este post é a importância de defender a nossa liberdade, de acreditar que podemos mais, pois o Mundo evolui através de nós. Nos poupe de ver você sofrendo, preso, limitado. Se ame primeiro, se liberte, e você estará ajudando o Mundo, sem vaidades ou egoísmo, mas com o poder individual, que é o primeiro que existe, senão o único. Isto é o que chamo de Dignidade!

Abs, André Dametto

Sobre André Luiz Dametto

Apaixonado por aprender e criar. Às vezes professor e consultor, outras artista ou flâneur, mas livre, sempre..
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